A personagem que deixou a câmara da Figueira de pantanas, que deixou a câmara de Lisboa de pantanas - perguntem ao eng.º Carmona - e que deixou o país embaraçado com os 5 meses de governo mais patéticos da história da democracia portuguesa, obrigando o Presidente da República a convocar eleições e os portugueses a correrem-no rapidamente e em força, é o escolhido de Passos Coelho para liderar a instituição que terá um papel determinante na implementação do Programa de Emergência Social, a principal e única política social conhecida do actual governo.
Com vários ministérios a navegar à vista e à nora, com o que resta de um banco afundado por figuras do PSD cavaquista doado - por um governo do PSD - a uma figura do PSD cavaquista, com as extraordinárias nomeações para a CGD - onde nem falta o fantástico Nuno Fernandes Thomaz - e com o regresso de Santana, está reposta a memória mais tenebrosa da última experiência governativa da direita.
No caso específico em apreço, com um ensinamento político muito interessante: o ministro Pedro Mota Soares julga andar de vespa, mas o secretário de estado Marco António está a pô-lo a andar de patins.
A cada vez que o Álvaro é forçado à exposição pública, somos brindados, sem nos pedir licença, com uma mão-cheia de tesourinhos. Eis o que nos calhou ficarmos a saber esta semana:
1) O Álvaro foi recrutado para o governo no metro de Vancouver, onde aproveitava a viagem para se informar, pela internet, sobre o que se passava lá em Portugal.
2) O único "ambiente de ostentação" conhecido no ministério da economia é uma chefe de gabinete de luxo, a mais cara do actual executivo.
3) O INE produzia, mas entretanto já não produz, estatísticas "enganosas".
4) É fundamental “inverter prioridades das políticas desastrosas dos últimos anos”, como as as energias renováveis ou o incremento das exportações.
5) “Portugal será em breve um país de sucesso”, assim cumpra o destino de se transformar na Florida dos reformados da Europa, uma ideia que já tem barbas (e não são as do Álvaro).
6) “Se nada for feito, no longo prazo estaremos todos emigrados", palavra de quem emigrou e voltou ministro.
Aplicando a receita Mira Amaral, se dos cerca de 700 mil funcionários públicos o governo despedir 500 mil, não só resolve de uma penada a massa salarial do Estado, como ainda combate o desemprego, criando 200 mil postos de trabalho.
Um conjunto de respeitáveis ex-governantes cavaquistas cria um banco que vem a ser responsável pela maior fraude financeira de que há memória no país. Entre as suas extraordinárias operações, o próprio prof. Cavaco Silva, reputado economista, beneficia de uma aplicação financeira de excepção às suas humildes poupanças, daí retirando um dividendo a taxas de totoloto, sem que nada lhe pareça suspeito.
Quando o buraco começa a tornar-se público e indisfarçável, o Estado, perante o risco sistémico que poderia arrastar a banca nacional, faz o que lhe compete, assumindo os destinos do banco, mesmo com o risco de poder vir a descobrir um buraco muito maior do que o esperado. Por esta altura, importa recordá-lo, um dos tais respeitáveis ex-governantes cavaquistas garantia que o "probleminha" era coisa pouca e que se resolvia com a injecção de uns trocados, como se viu.
Ao mudar o turno nos destinos do Estado, um novo governo social-democrata vende o banco a um grupo representado por outro respeitável ex-governante cavaquista, por menos de metade da melhor oferta conhecida e com o Estado a garantir uma injecção de capital e a custear o despedimento de metade dos funcionários. De brinde em brinde, ainda nomeia um dos respeitáveis ex-governantes cavaquistas envolvidos na gestão da sociedade que detinha o banco para um cargo destacado na Caixa Geral de Depósitos, gerindo o dinheiro de todos nós.
A responsabilidade, dizem-nos sem se rirem, é da herança socialista.
andré salgado
miguel cabrita
paula mascarenhas
correio.da.vida@gmail.com
vitor gaspar; schauble; conversa privada